Você já esteve em uma situação de risco? Já foi ameaçado por alguém, e sentiu um ódio vindo dele por você? Aquela sensação de perigo, de que sua vida vai ser esgotada pela raiva alheia? Muitos gays, bis, lésbicas, trans, travestis, drags, assexuais e outros prismas da comunidade LGBTQ+ já estiveram, ou pelo menos, sabem de histórias de agressão. Uma violência pautada em preconceito e falta de tolerância. Algo que ninguém merece passar, ou deseja aos outros, e por isso que o 17 de Maio existe.

Em 17 de Maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma das ongs que formam a ONU, retirou Homossexualidade da lista de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. Sendo assim, ser homossexual não seria mais tratado como doença, e sim apenas uma característica humana. Apesar disso a violência e o desprezo não morreu. Só em 2017, 445 pessoas foram mortas, vítimas de LBGTQfobia. Dentre elas 194 eram gays, 191 pessoas trans, 43 lésbicas, 5 bissexuais, e 12 eram héteros que conviviam em ambientes LGBTQ+ ou que tentaram proteger alguém e foram mortos. Somos hoje o país que mais mata LGBTQ+, e por isso é importante reforçar a data de ontem (17), o Dia Internacional de Combate á Homofobia.

 

A Publicidade do Erro

Ontem, a rádio Jovem Pan, lançou uma campanha feita pela agência Lew’Lara\TBWA, que tinha como tema o Dia Internacional de Combate á Homofobia. Chamada de “#MinhaÚltimaMúsica“, o texto perguntava as pessoas se elas fossem a próxima vítima de violência, qual seria a última música delas. Além de banalizar um ato de agressão, a campanha ainda transformou tudo em marketing, para que os ouvintes mandassem músicas pra a rádio tocar. O buzz disso tudo foi nada positivo, tendo efeito contrário. Os LGBTQ+ protestaram nas redes sociais contra a rádio e a hashtag, entre vaias e piadas sarcásticas, bem no tom Twitter de ser. Mesmo com o humor garantido, isso não diminui a falta de sensibilidade e o choque.

 

Com certeza, a mente por trás disso não é LGBTQ, nem deve ter sofrido algum tipo de violência na vida. Se tivesse experimentado risco de vida, pelo simples fato de existir, o publicitário não teria tido uma ideia dessas. A vontade de monetizar em cima de causas sociais é tão grande que a pessoa nem se deu ao trabalho de pensar em algo que acrescente. Um dica, relembrar o ato de violência não ajuda. Ao invés disso deveria celebrar o amor e a tolerância, e questionar o que nos leva a sermos mortos.

 

Não queremos ser mortos. Não queremos ser um número numa pesquisa. Lutamos todos os dias para termos nossos direitos, nossos espaço, e acima de tudo, respeito. Imaginar que algo de ruim possa nos acontecer é comum, mas isto só ressalta nosso medo de sair nas ruas. O dia 17 de Maio não foi feito para lembrar dos pesares, mas sim para nos fortalecer. Se a violência existe não podemos ficar parados pensando em música, mas sim em como combater isso.

 

A origem do ódio é a mesma de alguém que cria uma campanha desta: a desinformação. Enquanto existirem pessoas que não nos entendem, não nos veem como seres humanos, a disparidade vai ser mantida. Por isso devemos sempre comemorar quando ocupamos espaços, como na música, na TV, cinema, palcos, políticas, etc.

 

Enquanto existirmos, sendo nós mesmos, não nos adequando e nem escondendo, estamos resistindo. Não escolha sua última música. Ao invés disso escolha uma infinidade delas para te motivar a viver, chame os amigos e festeje quem você é. Pois todos nós merecemos viver.

 

Fonte da Pesquisa: O Globo

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