Eu sou muito fraco para terror. Um verdadeiro bebê quando se trata desse gênero, pelo menos no cinema. Os jogos apresentam uma versão mais branda do terror. Seja com uma arma sempre em mãos, como em Resident Evil, ou sempre no controle da situação, como em Until Dawn, os jogos sempre trouxeram uma versão mais mastigável do terror que gera tensão, mas não necessariamente medo. Esqueça tudo isso em Outlast 2 e abandone todas as esperanças neste jogo que foi um verdadeiro desafio pessoal completar.

Survival and horror

O jeito que Outlast trabalha com terror é o seu maior diferencial. Neste jogo, você é um repórter investigando com sua esposa umas mortes bastantes suspeitas em uma área bem isolada do Arizona, EUA. Claro que as coisas dão bastante errado, vocês se separam e tem de sobreviver a uma ceita extremista além de outros eventos ainda mais pertubadores. A palavra chave aqui é sobreviver e em nenhum outro jogo do gênero sobreviver é uma parte tão essencial da experiência.

Diferente de Resident Evil e outros jogos de terror, você está munido com apenas a sua câmera e sua vontade de seguir em frente. Isso mesmo, nada de armas ou coisas do gênero. A partir do momento que você começa o jogo você está completamente vulnerável e deve evitar os inimigos de qualquer jeito que conseguir. Não ter um jeito de se defender constrói uma tensão constante. A qualquer momento algo pode aparecer e acabar com sua vida. Mesmo em sessões de exploração e aparente calmaria, este medo te persegue.

O jogo é bastante escuro, então usar a visão noturna da sua câmera será essencial para ver seus arredores. O filtro esverdeado faz uma ponte direta com o cinema e lembra bastante filmes do gênero found footage, como o infame [REC]. A sua visão noturna gasta bateria da câmera e gerenciar o quanto se usa desse recurso é essencial para sobreviver. Quanto mais baixo o nível de dificuldade em que estiver jogando, mais fácil encontrar baterias para recarregar a câmera. Em níveis mais elevados, entretanto, isso só adiciona o nível de tensão que o jogo constrói. Outlast 2 consegue criar uma atmosfera de terror como ninguém, uma pena que a imersão do jogo seja quebrada tão facilmente.

Atmosfera pertubada

Diferente do antecessor que se passava num hospício, Outlast 2 conta com ambientes muito mais abertos. A princípio isto não é um problema e acrescenta a sensação de que o perigo espreita a todo momento. É só se perder, entretanto, que toda atmosfera do jogo é quebrada. Apesar do esforço do jogo em te guiar utilizando iluminação e outras soluções bastante elegantes, não é difícil se perder nos mapas mais amplos e nem a brilhante engenharia de som consegue segurar o seu medo quando você percebe que passou os últimos minutos andando em círculos.

Outro problema que consegue destruir a imersão é a programação falha de certas movimentações e eventos. A movimentação do jogador nem sempre funciona como você espera e isto está interligado com outro problema. Lembra quando eu falei que você deve fugir do jeito que conseguir? Bem, acontece que em diversos eventos você só consegue fugir por uma rota específica que o jogo planejou para você. Tente improvisar um pouco e você acaba morto. Nestas rotas mais bem desenhadas pelos produtores, o protagonistas as vezes consegue superar obstáculos surpreendentes que quando você tenta reproduzir em circunstâncias similares em qualquer outro momento do jogo resulta em falha e muito frequentemente numa morte.

Não poder fazer nada além de correr e se esconder também se mostra uma faca de dois gumes, já que a jogabilidade não evolui e nem introduz nada de novo. Ainda bem que a história empolgante te deixa sempre vidrado para tentar juntar os pedaços do quebra cabeça. Não se limitando a uma estrutura linear, a história combina os acontecimentos principais com alucinações e diversas cartas entregando boa parte da história em pequenas porções mastigáveis para o jogador consumir. É o suficiente para sempre ter novas teorias de quem são as pessoas que você está enfrentando e os misteriosos acontecimentos do passado sugeridos já na introdução do jogo.

Conclusão

No fim das contas, Outlast 2 entre erros e acertos ainda consegue ser um dos melhores jogos de terror já feito simplesmente porque ele entende o terror. Mesmo para os fracotes como eu o jogo é uma boa experiência, graças a sua misteriosa história e um modo para os fracos de coração que estreou junto com a versão de Switch. Para os fãs do gênero não tem mistério: é uma compra mais do que obrigatória.

Jogo analisado no Switch com código cedido pela Red Barrels.
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