Uma grande armadilha de se homenagear obras que definiram um gênero é não saber o quanto reproduzir do jogo original e o quanto de inovação trazer. Earthlock é um título que caiu feio nessa armadilha. Inspirado em clássicos do JRPG do final dos anos 90, como Final Fantasy VII, o jogo consegue trazer vários elementos importantes de FFVII, mas falha em apresentar algo novo. Com uma abordagem interessante e até empolgante ao combate e o sistema de talentos, Earthlock é um JRPG genérico que agrada fãs de longa data do gênero, mas peca ao apresentar um mundo vivo que o torne diferente.

Pretinho básico

A premissa de Earthlock é muito básica e introduzida de maneira pouco interessante. É o clássico salve o mundo, mas o jogo apresenta a história de maneira tão lenta tentando apresentar seus personagens que acaba falhando em comunicar claramente porque você deveria se importar. Os personagens são um problema a parte. Os designs são bastante inspirados o que contrasta radicalmente com suas personalidades. Todos são muito planos e com personalidades tão rasas que elas acabam se mesclando na mente do jogador. A base de um bom JRPG é a história e os personagens memoráveis. Dá para imaginar a desastrosa bola de neve que se forma quando se falha nisso, né?

Tudo nessa foto grita genérico

A ambientação do jogo também não ajuda muito. O jogo se passa no mundo de Umbra, que parou de gerar por algum motivo ocasionando regiões permanentemente na escuridão e outras onde sempre é sol. Interessante não? Poderia ser, se Earthlock apresentasse algum lugar memorável se quer. Algumas ruínas aqui, um deserto ali, tem uma floresta… Todos os lugares do jogo já foram vistos em algum outro RPG só que maneira muito melhor executado. Ok, então até agora a história não empolga, nem os personagens e muito menos o mundo. Pode piorar?

Até pode, mas não piora muito não. A apresentação do jogo deixa muito a desejar, mas não afeta de maneira muito negativa a experiência. Tentando pegar bastante o espírito de FFVII, a câmera do jogo está bem afastada a maior parte do tempo. Enquanto a câmera afastada trabalhava a favor de FFVII que rodava num humilde Playstation, ela trabalha contra Earthlock deixando de valorizar os belos modelos de personagens. A direção de arte dos ambientes não apresenta nada que se sobressai e a música é igualmente esquecível, mas os modelos de personagens são ótimos. Se os personagens fossem tão carismáticos como aparenta, talvez estivéssemos diante de um ótimo jogo.

Tão bonitinhos. Queria muito me importar com eles.

Make a stand!

Infelizmente é apenas um jogo bom. Duas coisas muito boas em Earthlock, entretanto, são seu sistema de combate e sua “árvore de talentos”. A princípio as batalhas de Earthlock parecem tão genéricas quanto qualquer outro JRPG de turnos, mas elas conseguem combinar elementos de diversos títulos e até trazer suas próprias ideias tornando o combate interessante.

Cada personagem pode escolher entre quatro ataques em um turno, usar algum item como em qualquer outro RPG ou mudar de stance.  Stances (“posturas” em português) mudam completamente o estilo de um personagem, adicionando versatilidade e estratégia aos combates. Minha personagem favorita, por exemplo, chamada Olia é uma mulher negra super bad ass com poderosíssimos golpes físicos em uma postura e que pode contra-atacar automaticamente chefes com o dobro do seu tamanho em sua outra postura. Por outro lado, mesmo com um sistema robusto de combate ele é mal explicado para os jogadores e até as mais triviais das batalhas acabam se estendendo por tempo demais.

Apesar da extensão artificial ocasionada pelas batalhas demasiadamente longas, o combate do jogo agrada e poderia ser melhor utilizado numa possível sequência com uma história melhor. Outro sistema que eu gostaria de ver retornar em uma possível sequência é a “árvore de talentos”, que mais parece um tabuleiro de tarot. Para ganhar melhorias nos stats, basta posicionar uma carta do stats escolhido e pagar um ponto de talento. Fazendo uma ponte de cartas entre o personagem e uma habilidade desbloqueia permanentemente. Também dá para equipar cards especiais que adicionam diversos bônus aos personagens fazendo com que a minha Olia, por exemplo, seja diferente da sua.

Conclusão

Earthlock é um bom JRPG mas não passa disso mesmo. Ao homenagear gigantes do passado, o jogo falha em deixar a sua própria marca e não consegue captar a essência do que fez os seus ídolos tão grandes. Com pouquíssimos elementos originais, temos personagens bem fracos e uma história que sinceramente não merecia ser contada.

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