Uma das subraças mais interessantes de Dungeons & Dragons acaba de ficar ainda mais interessantes. Os Drow, também conhecidos como dark elves (“elfos sombrios” em português),  tiveram sua sociedade mais detalhada em um vídeo de divulgação da nova expansão do jogo e a transexualidade tem um papel importante para eles.

Não é novidade os esforços dos escritores de Dungeons & Dragons em tornarem o jogo cada vez mais inclusivo. Desde 2015, em boa parte dos livros da quinta edição, nota-se uma diversidade cada vez maior, com menções diretas a diferentes expressões de sexualidade e noções não binárias de gênero. O futuro livro Mordenkainen’s Tome of Foes ajuda a manter este momentum de diversidade da empresa trazendo adições importantes a mitologia do jogo.

Além de trazer detalhes inéditos sobre diversas criaturas, como os arquidemônios e os githyanki, o novo livro vai mergulhar mais fundo do que nunca na cultura drow e suas principais divindades. É uma dessas divindades, Corellon, que abençoa alguns elfos com a habilidade de escolher seu sexo. Corellon tem uma complicada relação de amor e ódio com elfos de todos os tipos. Ele é meio que o criador dos elfos, mas viu sua prole se virar contra ele em tempos remotos. Foi aí que começou aquele clássico rancinho e como todos sabem, ranço é um caminho sem volta.

Ainda assim, Corellon não consegue evitar se afeiçoar por sua criação e acaba escolhendo uns protegidos entre os elfos. Esses protegidos recebem a sua benção e a forma que essa benção se manifesta é na liberdade de escolher como seu sexo se manifesta. “[…] Quando esses elfos despertam do transe no final de um longo descanso, eles podem decidir se querem ser machos, fêmeas ou nenhum dos dois. A escolha é de cada um”, conta Crawford, game designer do jogo desde 2007.

Um elfo marcado pela benção de Corellon é bem vindo em toda sociedade élfica, uma vez que é visto como um ser divino, um possível herói com o poder de unificar os elfos. Na sociedade drow, entre tanto, essa benção é um pouco controversa. Numa sociedade pautada fortemente nos papéis de gênero claramente definidos, isto é visto como um desafio. A sociedade drow, diferente da élfica, é uma sociedade matriarcal onde os homens vivem numa subserviência às mulheres. A benção de Corellon é vista como resistência e até anarquia, porque aqueles que têm esta benção são geralmente os heróis que buscarão um caminho de paz com todas as outras subraças elfas.

Crawford, principal designer dessa expansão, se mostrou bastante animado com as possibilidades que estas mudanças trazem. “Eu acho que esse é um dos motivos pelo qual Drizzt tem um apelo tão grande e [para mim] é muito mais heroico quando uma pessoa se levanta contra a sua própria sociedade que está fazendo tanta coisa errada e diz: Eu não farei parte disso. Essa é sua história e eu acho que poderia ser a história de vários personagens interessantes dos futuros jogadores que escolherem os drow.

Mordenkainen’s Tome of Foes que irá explorar melhor os anti-heróis de D&D chega dia 29 de maio.

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