De muitas formas a carreira de Alex Garland vem seguindo um caminho normal. Ele começou sua vida em Hollywood como roteirista, desenvolvendo histórias de terror e ficção científica para cineastas como Danny Boyle e até alguns videogames. Depois aproveitou muito bem sua primeira oportunidade como diretor com o impressionante Ex-Machina (2014). Agora chegou a vez de provar finalmente se ele é realmente um grande artista ou se é apenas mais uma promessa que logo será apagada pelo tempo em Aniquilação.

Mas mesmo tendo uma trajetória muito comum, o trabalho do diretor passa longe disso. Desde seu primeiro longa ele já nos arrebatou com grandes ideias e questões filosóficas muito bem trabalhadas e agora ele conseguiu intensificar muito mais tudo isso no seu segundo filme.

Nomes como Hideo Kojima e Jonatan Vogt-Roberts já chegaram a comparar Aniquilação com 2001, Uma Odisséia no Espaço. Mas mesmo que não, esse filme não chegue aos pés de um dos maiores clássicos da história do cinema, os paralelos que podem ser traçados são muito claros.

O filme segue a história de Lena (Natalie Portman), uma bióloga e ex-militar que, depois de perder o marido, decide se juntar a uma expedição do governo para uma tal de Área X. É praticamente uma missão suicida já que ninguém que ultrapassou a aterrorizante e ao mesmo tempo visualmente linda barreira que delimita a região em questão voltou para contar sua história. Mas é em busca de preencher vazios e levada por uma curiosidade que pode ser descrita como mórbida que, acompanhada de mais quatro mulheres, ela embarca nessa expedição ao desconhecido.

Aqui a história entra no conceito de jornada ao desconhecido. A cada cena que se passa vemos mais do mundo que se desdobra frente às nossas expedicionárias, a cada curva uma coisa mais linda do que a outra, depois de cada volta uma coisa mais aterrorizante à espreita. Com muitas perguntas que são quase sempre propositalmente deixadas sem resposta.

A obra é uma mistura de gêneros muito interessante, o drama interno da personagem principal e externo do grupo e suas eventuais desavenças é muito bem colocado. Os elementos de thriller e mistério conseguem manter qualquer um vidrado nos acontecimentos que se desenrolam. Mas onde o filme brilha de verdade é com as pitadas de horror cósmico que permeiam a narrativa desde o primeiro instante.

Volto aqui nas comparações com 2001. Ao redor de uma história normal e inteligível está a presença perene de coisas que fogem ao nosso entendimento. Assim como no final do filme de Kubrick, essa aventura é marcada por sequencias visualmente impactantes que não são feitas para serem totalmente entendidas. Aqui que está o ponto mais forte e mais fraco do filme. Pois embora esse tipo de coisa encante muitos (eu incluso), pode assustar vários outros. Por isso é muito compreensível que esse filme afaste a mesma quantidade de espectadores que encante.

Conclusão

Na minha opinião, todos os temas apresentados e trabalhados, aliados ao trabalho primoroso de Garland nas soluções visuais (os tons arco-íris da barreira refletindo por toda a Área X), e sonoras (aquele URSO!!!!), e à excelente performance de todo o elenco, resultam naquele que sem dúvida é um dos primeiros grandes filmes de 2018. Que belo começo!

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