Houve muito burburinho nos meses que antecederam o lançamento de Past Cure. Sendo um jogo indie e, portanto, sem orçamento milionário, surpreendia tamanha a ambição e a confiança do estúdio estreante Phantom8 em seu jogo. Prometiam um jogo cinematográfico, trazendo combates realistas, bastante stealth, uma história digna de filme além de gráficos top de linha. Infelizmente o resultado final foi pior até do que o esperado. Amaldiçoado por muitos problemas presentes em diversos aspectos do jogo, Past Cure é um jogo com um potencial absurdo, mas no final do dia não passa de um game bem ruim.

Malabares de gêneros

Para começar, Past Cure não consegue se achar em que experiência ele quer passar para o jogador. Só na introdução do jogo ele consegue fluir entre terror psicológico, stealth, puzzles e combate intenso e acaba fazendo nenhum deles particularmente bem. Talvez aonde ele se saia melhor seja nos segmentos de puzzle, que consegue integrar particularmente bem os poderes especiais com o combate, mas eles são tão escassos que não compensam os demais momentos problemáticos do jogo.

O interessante é que ele consegue mascarar os seus problemas em alguns momentos e ele faz isso emulando outros jogos bastante conhecidos e amados. O protagonista Ian, por exemplo, é praticamente um irmão gêmeo de Ethan, de Heavy Rain. Inclusive, diversos elementos vão evocar os jogos do estúdio Quantic Dreams, como os próprios poderes de Ian que lembram bastante Beyond Two Souls.

O que mais se salva no jogo são os seus puzzles bastante únicos

O horror está nos detalhes

Diferente dos jogos da Quantic Dreams, infelizmente Past Cure é desprovido de qualquer polimento. Logo no tutorial, nos primeiros minutos de jogo, já fica escancarado que os problemas se encontram até no nível mais essencial. Quando você começa o jogo dentro de um pesadelo cercado por manequins demoníacos e tem a audácia de atirar neles, percebe que tem algo de muito errado. Independente da sua mira, os tiros só acertam o alvo quando bem entendem.  A hitbox dos inimigos é ridiculamente minúscula e a fase que era pra ser um pesadelo pro personagem se torna um verdadeiro tormento para o próprio jogador que acaba morrendo repetidas vezes por conta da programação falha.

Programação esta que afeta diversos momentos do jogo. A movimentação do Ian é bastante estranha e nem um pouco crível. Nas sessões stealth, mais adiante, prepare-se para falhar bastante por não conseguir matar um inimigo na surdina simplesmente porque o jogo tem problemas para reconhecer quando está atrás dele. Sem falar os momentos que o jogo simplesmente trava o seu videogame, seja ele tão potente quanto o nosso PS4 Pro, completamente fechando o jogo possivelmente perdendo o seu progresso. Nós precisamos refazer toda a fase de um dos chefões porque o jogo simplesmente fechou durante uma cutscene.

Os problemas do jogo vão fazer você querer socar alguém

Quando falha o mistério

A arte do jogo também é bastante desconexa e decepcionante. O modelo do protagonista e da maioria dos personagens é incrivelmente detalhado e digno de qualquer jogo AAA do momento. Os cenários, por outro lado, ficariam feios até em um jogo de geração passada. As texturas são muito fracas e a iluminação mal aplicada. Não ajuda nem um pouco que o jogo tenha o péssimo hábito de reutilizar cenários diversas vezes.

Você deve estar pensando, ou até mesmo torcendo, que a história possa salvar o jogo de ser uma completa perda de tempo, mas receio que este não é o caso. A história começa muito boa e, como tudo no jogo, bastante promissora. Ian tem super poderes mentais resultados de experimentos científicos. O fato é que ele não lembra quem fez aquilo com ele e nem muito bem o seu passado. A trama lembra de leve os sentimentos de Jessica Jones em sua segunda temporada e por vezes a própria Eleven de Stranger Things, mas todo mistério que o jogo se esforça em criar tem um desfecho bem aquém do esperado. No final a história não consegue compensar os diálogos mal escritos e a atuação monótona do dublador.

O melhor do visual do game são os manequins. O resto é genérico ou mal feito.

Conclusão

Past Cure, de modo geral, esconde um imenso potencial de ser algo grande, mas acaba sufocando em suas próprias ambições. O jogo tenta fazer de tudo um pouco e acaba sendo um fracasso geral. As poucas qualidades do título não compensam suas marcantes falhas. Você pode até curtir um pouco o título se gosta de jogos como Beyond Two Souls e Alan Wake, mas os problemas técnicos do jogo transformaram uma experiência potencialmente agradável em um mar de frustrações.

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