Depois do sucesso de Rogue Legacy e The Binding of Isaac, o gênero rogue-lite caiu de vez no mainstream. Vimos o surgimento de uma enxurrada de jogos do gênero — cada vez mais genéricos — que acabaram supersaturando não só o mercado, mas também os jogadores. Em meio a esse aglomerado amorfo, Flinthook se sobressai com sua originalidade e personalidade. Muito além de seu visual coeso e encantador, Flinthook impressiona pela jogabilidade acelerada e pelo jeito que aborda as ideias de um rogue-lite.

Pirata sideral

Basta ligar o jogo para ser fisgado por todo estilo que a Tribute Games colocou nele. As cores vibrantes que caracterizam o título e a música-tema eletrizante se combinam numa intro que já empolga o jogador antes mesmo dele começar a jogar (essa aí em cima). Flinthook dá um show em identidade visual e não tem onde por defeito neste quesito.

A introdução consegue apresentar de modo bastante claro não só o clima dessa aventura, mas também toda premissa do jogo. Você é um caçador de recompensas. Munido de uma pistola, um gancho em forma de âncora, um cinto que desacelera o tempo e uma bússola mágica, sua missão é encontrar piratas foragidos e derrotá-los para reunir sete misteriosos fantasmas. A história é bem simples e bem pirada, como todo o resto do jogo.

Minha nave, minha vida

A estrutura do jogo é bastante interessante derivada da sua própria interpretação de roguelite. Diferente de Rogue Legacy, por exemplo, aqui você não tem um único mapa gigante gerado de uma vez aleatoriamente com regiões tematizadas para explorar. Os mapas de Flinthook são gerados aos poucos e meio que personalizados de acordo com as decisões do jogador, adicionando um que de estratégia à geração de mapas ao custo da sensação de progressão.

Antes de começar em qualquer fase, você deve escolher que pirata está caçando. Para descobrir a localização de cada pirata, Flinthook precisa de gemas fantasmas que ele encontra no final de cada nave que ele invade. Você poderá sempre escolher qual nave deseja invadir entre três opções e cada uma tem pelo menos um modificador que a torna especial. Cada serve um propósito e torna o jogo bem menos repetitivo que outros roguelites.

O melhor desse sistema é que o jogo consegue se adaptar as necessidades de praticamente qualquer tipo de jogador. Isso não se limita as necessidades dentro do jogo, como vida, dinheiro e experiência, mas também o que cada jogador procura no jogo. Você quer descobrir mais sobre o lore do jogo? Escolha uma nave do estilo “Librarius”. Odeia caminhos muito lineares? Escolha naves do estilo “Labyrinthine”.  São inúmeras opções e o jogo nunca te diz explicitamente o que cada uma quer dizer, então você vai ter que desvendar por si mesmo.

Carinho e repetição

Diferente de outros roguelites, as salas aqui não são geradas por um algoritmo. Todas as salas foram desenvolvidas manualmente e apenas modificadas por algoritmo, variando os prêmios, um obstáculo ou outro e sempre as ondas de inimigos. É uma decisão interessante com suas vantagens e desvantagens. Por um lado isso torna as fases mais interessante, com um design bem pensado que está constantemente testando ou ensinando o jogador. Por outro, as chances de você encontrar a mesma sala duas vezes é muito maior, o que acentua a sensação de repetição que jogos do estilo devem evitar ao máximo.

A arte também não ajuda com essa sensação de repetição. O estilo de arte do jogo é extremamente agradável. É um pixel art sem bordas que dá um ar cartunesco e animado, permitindo um ambiente rico em detalhes e que explora bastante sombras. As cores do jogo são menos saturadas do que seu jogo em pixel art habitual, dando um tom mais descontraído a obra.

Infelizmente um estilo de arte mais bem trabalhado e estilizado quer dizer também que ele é menos variado. Todas as naves de uma mesma caçada compartilham o mesmo tema e mesmo quando você avança para uma nova caçada, as mudanças são bem superficiais, se limitando ao fundo do mapa e a uns poucos recursos novos. Normalmente a repetição na arte não é tão aparente porque o jogador está muito concentrado com a ação frenética do título, mas em sessões de jogo mais longa isso pode se tornar um problema.

Mudar a cor da sala não faz milagres

Um ser alienígena que bota pra quebrar

Falando na ação desenfreada, o jogo é bastante frenético e os controles levam um tempo para se acostumar. Flinthook tem o seu gancho que pode usar para se lançar pelas salas do jogo como um veloz acrobata. Se jogar de um lado para o outro é bastante divertido quando se pega o jeito e pode te ajudar a desviar de tiros inimigos ou evitar alguns perigos do ambiente, mas aprender a mirar para onde se quer ir pode ser um problema.

O problema nos comandos é mais por que sua mira é no mesmo analógico que você anda. Dá para imaginar a confusão que isso causa. No começo, é difícil até mesmo atirar, já que mirar nos inimigos pode levar seu personagem a pisar em espinhos ou cair em ácido. Poder apertar um botão para travar o seu personagem e mexer só com a mira é uma solução desengonçada, mas que funciona.  Aos poucos, entretanto, você pega o jeito e acaba se tornando uma segunda natureza.

A dificuldade dos comandos apesar de ser um fardo no começo acaba trabalhando a favor da sensação de progresso no jogo. O jogo conta com um sistema de melhorias que você vai desbloqueando conforme avança de nível e antes de começar uma caçada, você deve escolher um número de vantagens para o seu herói. Conforme você vai avançando, não apenas o seu personagem vai ficando mais forte devido as vantagens que você liga a ele, mas você como jogador também acaba se aperfeiçoando. No final, superar essas dificuldades vale a pena e acaba se tornando recompensador.

 

É bastante gratificante quando você vira um pro

Conclusão

A Tribute Games conseguiu fazer um surpreendente roguelite do seu jeito em Flinthook. Tudo que um jogo precisa para ser um bom roguelite está aqui, mas não da forma que você está acostumado. A sensação de progresso no jogo é meio estranha, pois enquanto alguns elementos como a evolução do personagem te dão uma sensação de avanço, a dificuldade pode parecer meio estagnada às vezes. Toda a apresentação do jogo é incrível e bastam alguns instantes com o jogo para ser fisgado para sua fantasia espacial. Flinthook é um jogo obrigatório para qualquer fã do gênero e para quem está afim de uma boa aventura.

Assalto no estilo

9.0
Hino

Flinthook tem um pouco para cada tipo de público. Para os que gostam de muita ação, tiro para todo lado. Para os que gostam de plataforma, uma das movimentações mais livres e personalizáveis feitas em um jogo 2D. Para os que gostam de novidade, cada assalto é uma aventura única. Tudo isso ainda é embalado na apresentação mais estilosa que já vi num indie. 

9.0

Where to Buy

Show Full Content
Previous Lollapalooza 2018: o que o QAG quer ver no festival
Next RuPaul’s Drag Race Season 10: Meet the Queens! Parte 1
Close

NEXT STORY

Close

Lady Gaga: Nova versão de Joanne pode ser prévia do Grammy

26 de janeiro de 2018
Close