Inteligência Artificial é um tema recorrente na ficção científica e já foi muito explorada nos filmes. Poucos jogos, entretanto, abordaram o assunto de maneira tão complexa quanto The Fall, de 2014. No final do jogo, fomos surpreendidos com um clássico “To be continued…” que já fomos acostumados a esperar de desenhos animados, mas não de jogos. Quatro anos depois, finalmente somos agraciados com a segunda parte da história: Unbound. A história surpreende e os puzzles estão mais refinados do que nunca, porém os gráficos super genéricos podem diminuir o impacto de The Fall Part 2 para os jogadores mais exigentes.

Antes de qualquer coisa, o Parte 2 ali no nome deixa bem claro que para jogar este jogo você precisa antes jogar o The Fall original. The Fall Part 2: Unbound é um jogo de aventura, como o antecessor, e a história é parte essencial da experiência. O jogo até tem um resuminho do jogo anterior, mas recomendo bastante que você tire um tempo para jogar a Parte 1 assim mesmo. Para quem não tem tempo e dinheiro para jogar The Fall, Unbound ainda consegue funcionar bem sozinho.

The Fall tinha muitos problemas nos seus controles e nos seus puzzles, mas felizmente parece que tudo foi consertado na sequência. Se antes os puzzles eram confusos e muitas vezes com resultados forçados e sem sentido, agora as soluções são intuitivas e criativas. Os itens do novo jogo tem muito mais contexto e tudo isso graças as novas IAs que permeiam o jogo.

Em The Fall Part 2 nos vemos no papel de Arid, uma IA, que está sendo violada a distância pela rede por um usuário misterioso. Arid então deixa o seu corpo para trás e viaja pela rede para proteger a sua existência. Ela invade o corpo de outras IAs para conseguir ajuda e é aí que o jogo se desenvolve. Todo o brilhantismo das mecânicas e enredo do jogo vem exatamente das perspectivas únicas de cada IA.

Arid pode possuir três IAs diferentes: o mordomo, o “Um” e a acompanhante. Cada um deles tem sua própria personalidade condizente com sua função e suas particularidades no jeito de jogar que dão um ar de novidade ao game. Quando a gente controla o “Um”, por exemplo, há uma desafiadora sessão rítmica disfarçada de luta. Cada personagem tem também seus próprios objetivos paralelos aos de Arid e o desenrolar de cada história acrescenta bastante ao arco principal do jogo. Todos os três são muito bem construídos e fáceis de se afeiçoar.

As sequências de luta do “Um” escondem um complexo jogo rítmico

O jogo se comporta como um adventure na maior parte do tempo. Isto é, sempre que você está controlando alguma outra IA. No mordomo, você precisará encontrar os itens para ajudar na rotina como qualquer adventure clássico. Já com a acompanhante, os sentimentos e informações das pessoas fazem o papel dos itens, de maneira bastante orgânica. Entretanto, quando a Arid vai para o cyber espaço o jogo muda completamente e se torna um metroidvania bem simplicista com um sistema de combate baseado em mira automática e parry bastante satisfatório, mesmo que pouco utilizado.

Onde o jogo mais brilha é em sua história, que avança em rumos bastante inusitados e satisfatórios quando comparado a onde o primeiro parou. Todas as perguntas do primeiro título são respondidas e The Fall Part 2 ainda acha espaço para desenvolver cada um dos novos personagens. O enredo também traz reflexões interessantes sobre livre arbítrio e corrupção que mesmo inusitadas, casam perfeitamente no jogo.

Já a apresentação do jogo deixa um pouco a desejar. Boa parte do jogo foi feita com recursos genéricos do Unity que só não incomodam graças a fotografia super escura do título. O único recurso visual que se destaca são os filtros que representam as perspectivas de cada IA bem pro final do jogo. Tirando isso, mais tempo poderia ter sido gasto pensando e desenvolvendo a parte gráfica do jogo. A própria acompanhante, uma das principais personagens do jogo, tem um modelo no mínimo duvidoso. Se o mesmo esforço visto na história fosse utilizado na apresentação, teríamos uma obra prima em nossas mãos.

Conclusão

The Fall Part 2: Unbound é uma excelente continuação para a trilogia. Os elementos sci-fi do jogo continuam muito bons e basicamente todos os quesitos medianos do jogo anterior foram aprimorados nesta sequência. Os gráficos ainda deixam a desejar, mas os puzzles não te deixam mais perdido e o jogo conta com diversos personagens memoráveis. Jogo recomendadíssimo para fãs de sci-fi, cyberpunk, histórias com robôs e um bom adventure.

Show Full Content
Previous Mais do que modinha! Playstation VR mostra para o que veio
Next Crítica – Inusitado e direto! Pantera Negra renova filmes de heróis
Close

NEXT STORY

Close

Halsey chora em meio ao caos no clipe de Sorry

2 de fevereiro de 2018
Close