A BGS já passou faz tempo, mas ainda tem dado o que falar. Como a gente já falou aqui, a Playstation veio em peso pro evento e trouxe inclusive o seu mais novo produto que sequer estava a venda no Brasil: o Playstation VR. Com sessões super limitadas, nossa equipe penou para agendar, mas consegui jogar dois jogos bastante distintos no novo periférico da Sony e vou te falar: ele não é fraco não! Agora que o Playstation VR finalmente lançou no Brasil pelo preço impactante de R$ 2999, a gente vai contar o que tem de tão bom nesse add-on que faz ele valer tanto a pena.

Teve fila no VR

Nova “modinha”

Primeiro vamos deixar claro que o Playstation VR não é só uma modinha passageira que te prende por um tempo e depois enjoa, diferente do Kinect do Xbox e do 3D “parallax” do 3DS. A realidade virtual, não só da Playstation, é uma maneira realmente nova de se jogar e de interagir com o mundo dos jogos que meio que combina tudo que veio antes. Temos acelerômetro, giroscópio, 3D, sensor de movimentos, além de um áudio 3D para fazer com que o jogador realmente se sinta imerso na experiência.

A nova tecnologia promete e não é só pro mercado de jogos. Uma porta de entrada para novas experiências como um todo, muitas empresas de diversas áreas do entretenimento, como o próprio Facebook, estão desenvolvendo para realidade virtual, então não espere que esta nova tendência morra do nada como foi com o Kinect e o 3D nos jogos.

Kinect troll
Diferente do Kinect, o PS VR promete mas cumpre

A jogada da Sony

Como eu disse, a Sony não está sozinha neste mercado de realidade virtual. Temos também a própria Valve, Oculus, Samsung entre outras concorrendo pelo gosto do público. O que que a Sony tem de diferente das outras então? A resposta é bem simples. A Sony sabe fazer jogos incríveis! Com o PS VR não é diferente. O sistema já conta com uma biblioteca muito rica e apesar de não parecer nem um pouco impressionante quando se assiste vídeos de jogos VR, ao vivo o sistema realmente entrega o que promete.

Na BGS, por exemplo, a Sony trouxe diversos jogos exclusivos para o Playstation VR. Eu tive a chance de experimentar apenas dois deles: Moss, da estreante Polyarc, e The Impatient, prequel de Until Dawn pela Supermassive Games lançado mês passado. Ambos games bem distintos e ambos utilizavam o Dualshock 4 como principal modo de se interagir como o jogo. A palavra-chave é principal, pois mesmo sendo o controle que eu estava usando, não era o único modo de se interagir.

Playstation VR hardware

Como uma luva para o terror

The Impatient foi o segundo jogo VR que eu joguei na minha vida (sim, joguei Moss primeiro), mas faz mais sentido falar dele primeiro, pois esta é a experiência padrão que o VR tenta proporcionar: jogos em primeira pessoa. Aqui, tudo é feito para que você se sinta a própria personagem no jogo. Tudo mesmo.

Como o jogo utiliza o Dualshock 4 – o controle padrão do PS4 – para interação, o jogo supõe que você estará sentado quando for jogar e ele usa isso para propor uma imersão ainda maior na experiência. Basicamente seu personagem também está sentado a maior parte do tempo.

O jogo se passa num sanatório e você é mais um paciente nele. Quando começa a demo, você está amarrado a uma cadeira, sem poder sair. A imersão é quase instantânea quando você olha para baixo e vê um corpo humano perfeito onde deveria estar o seu (para pessoas brancas deve ser ainda mais instantâneo. Para mim demorou um tempo para meu cérebro aceitar o novo avatar branco como meu corpo).

Until Dawn The Prequel
Um médico assustador irá guiar a sua experiência

O jogo prossegue com um médico bastante assustador te fazendo perguntas para você tentar lembrar do passado. Responder é bastante intuitivo e usa um sistema tirado diretamente de Until Dawn, mas que parece ter sido feito especialmente para o Playstation VR. Tem duas respostas na tela e você precisa apenas olhar em direção a resposta certa. É incrível como isso funciona bem e simplesmente expande a imersão do jogador.

Após algumas perguntas, temos um flashback do passado e o jogo exige que olhemos pra todos os lados para absorver todos os detalhes do ambiente. É aí que eu percebi o brilhantismo da coisa. Se virar e perceber que tem todo um mundo além do seu campo de visão e depois olhar para todos os lados e perceber que tem coisas para todos os lados que você olha é surreal, uma experiência única.

A demo continuou com umas ideias bastante interessantes. Em algum momento, o médico pede que a enfermeira te de uma injeção e é angustiante ver aquela agulha virtual entrando no seu braço. Seu corpo se prepara todo para a dor, mesmo que ela não venha. Não tão interessante é como o jogo lida com movimento no jogo. Mais pra frente na demo você está livre para se mover no seu quarto e se mover com analógicos tão imerso neste mundo quebra a suspensão de descrença, mas isso não é uma regra para o VR. Moss é um jogo que trabalha muito melhor nisso.

Reinventando jogos de puzzle

Apesar de ser totalmente contra intuitivo, foi Moss — um jogo em terceira pessoa estilo plataforma — que me impressionou com o verdadeiro potencial dessa nova tecnologia. No momento que começa a demo de Moss e você é transportado para um gigantesco hall de algum castelo com uma escala inimaginável além de uma quantidade surpreendente de detalhes o seu cérebro simplesmente surta. Você sente como se estivesse ali, aquele mundo se torna completamente real. Eu fiquei alguns instantes só explorando meus arredores encantado com a beleza de tudo aquilo.

Só depois eu fui me tocar que tinha um livro bem ali na minha frente. O jogo então pede que eu utilize os controles de movimentos do Dualshock 4 para que eu vire a página do livro e, apesar do sensor de movimento não ser tão responsivo, a interação é bastante satisfatória. O livro então brilha e me transporta para uma floresta e mais uma vez eu estou impressionado com a sensação de escala.

Depois de já estar impressionado com como os mundos parecem tão reais mesmo com gráficos do fim da era do Playstation 2, finalmente o jogo começa. Moss basicamente esconde dois jogos em um só. Com o controle você controla Quill, uma ratinha esgrimista, e o jogo funciona bastante como um jogo de plataforma 3D convencional. Já o controle de movimentos representa você e neste mundo você é uma espécie de espírito que parece ter saído de alguma animação dos estúdios Ghibli. Você consegue interagir com vários elementos do cenário e deve utilizá-los para resolver uns puzzles. Moss funciona combinando essas duas jogabilidades ao mesmo tempo. Uma experiência que só é possível graças ao Playstation VR.

Um novo jeito de jogar

Play PS VR

Sendo a única fabricante de consoles que decidiu apostar no VR, pelo que a gente viu na BGS a Sony sabe muito bem o que está fazendo. Mesmo que a realidade virtual não vá substituir o nosso jeito padrão de jogar videogames, a experiência é verdadeiramente revolucionária. Estar imerso em um mundo tão pacífico quanto Moss pode ser a coisa mais relaxante do mundo após um dia estressante no trabalho e uma experiência tensa como The Impatient revoluciona o jeito de se pensar em jogos de terror.

Comparando estes jogos que não tem nada em comum conseguir ver toda a versatilidade do Playstation VR. Se agora no comecinho de carreira já estamos recebendo jogos tão brilhantes, só nos resta imaginar o que o futuro nos aguarda.

 

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