Foi-se o tempo que jogos de plataforma reinavam soberanos no mundo dos jogos. Nomes como Donkey Kong Country podem ter feito um sucesso estrondoso nos anos 90, mas no cenário atual este gênero é considerado um dos menos populares pelos jogadores. Ainda assim, em pleno 2018, surge Celeste – um jogo de plataforma super difícil e ainda por cima brasileiro – e rapidamente se torna o assunto do momento, colecionando notas altíssimas de críticos por todo mundo. O que esse jogo fez de diferente que o tornou tão popular mesmo em um cenário tão adverso? Ele fez excepcionalmente bem tudo que era esperado de um platformer e ainda foi além.

Celeste colorful
Esta colorida aventura esconde uma história delicada e pessoal

Aprendendo com os mestres

Celeste é o mais novo jogo da equipe por trás de Towerfall Ascencion (2013). O jogo te põe no papel da jovem Madeline que está decidida a escalar o Monte Celeste. Os comandos são simples o suficiente para que qualquer pessoa possa começar a jogar sem problemas. Você pode pular, escalar e também se utilizar de um pequeno dash. O desafio do jogo reside em atravessar salas com os mais diversos obstáculos utilizando suas limitadas ferramentas com uma crescente maestria.

Até aqui nada inovador. Jogos de plataforma que exigem saltos precisos estão em alta desde Super Mario Bros. e indies como Super Meat Boy carregam essa tendência até hoje. Ainda assim, Celeste aplica esta fórmula de maneira tão fluida e traz um jogo tão agradável que mesmo que fosse só isso já poderia se tornar um sucesso. Mas por que o jogo é tão gostoso de se jogar? O segredo está no level design elegante que lembra muito o utilizado pela própria Nintendo.

No período de uma fase, o jogo: introduz uma mecânica, a explora a exaustão e depois a descarta. Essa abordagem a level design acaba se provando bastante efetiva. As mecânicas duram tempo o suficiente para que o jogador se divirta com elas de diversas maneiras, mas são descartadas sem dó antes que se tornem obsoletas. Como resultado, temos um jogo que nunca se torna enjoativo e fases que ficam gravadas na memória do jogador.

Celestes hard
O jogo está o tempo todo introduzindo novos jeitos de se mover, mas também de te matar

Detalhes que fazem a diferença

A dificuldade do jogo vai escalando aos poucos, mas não demora muito para o jogo se tornar difícil… Brutalmente difícil. Neste quesito, o jogo lembra muito Cuphead, só que ao invés de chefes com padrões complexos temos salas e mais salas que exigem precisão milimétrica. Diferente de Cuphead, entretanto, é como o jogo abraça os jogadores mais casuais. Para quem não estiver confortável com a dificuldade elevada do jogo, basta personalizar o desafio ao seu gosto em um menu bastante completo. Uma solução efetiva para incluir todos os tipos de jogadores sem sacrificar a dificuldade para os mais hardcore.

Além da jogabilidade sublime, Celeste surpreende a todos por ser um jogo de plataforma que sabe contar uma boa história. Diálogos são bem escritos e cheios de vida; os personagens esbanjam carisma e profundidade; os temas abordados são super pertinentes e, acima de tudo, a história se encaixa perfeitamente no ritmo do jogo. A leveza em que o jogo consegue abordar temas bastantes sérios, como aceitação, insegurança e depressão, é notável e quase tão bem executada quanto Steven Universe. A localização muito bem feita só vem a acrescentar, tornando o jogo indispensável para nós brasileiros.

Celeste Story
Tem algo novo para se aprender em cada personagem

Você quer arte, @?

Se isso tudo não foi o suficiente para te convencer que Celeste é uma obra-prima, espere para ver a parte artística. Sua arte traz o charme especial do estúdio brasileiro Miniboss com uma pixel art econômica mesclada com arte digital. A paleta de cores do jogo é incrivelmente bem pensada e vai alternar entre paletas quentes e frias para guiar as emoções do jogador durante a aventura. Se em uma fase a paleta é bastante escura, com cores que evocam solidão, tenha certeza que cores quentes como um envolvente por do sol não vão demorar para surgir. A trilha sonora também não deixa nada a desejar, sendo uma das melhores que eu já vi em um jogo indie em muito tempo.

Conclusão

Celeste é um jogo de plataforma perfeito para qualquer um que esteja a fim de se divertir com um jogo desafiador e também para qualquer um que só esteja afim de uma boa história. A sua jogabilidade é muito bem polida e é recompensador se ver realizando saltos quase impossíveis conforme avança no jogo. A história também emociona, trazendo vários assuntos que convidam reflexão sobre o estilo de vida dos jovens contemporâneos. Unindo o melhor de dois mundos e não deixando ninguém de fora, Celeste é uma verdadeira obra prima.

Superação Destilada

10.0
Hino

A árdua escalada de Madeline se torna bastante recompensadora de acompanhar. É incrível ver um jogo num gênero tão tradicional trazer uma história tão contemporânea, emocionante e empática. A jogabilidade aqui existe a favor da temática do jogo. Recomendo esse jogo para todos fãs de plataforma e de uma boa história. Com as opções de acessibilidade, dá para todos jogarem.

10.0
Show Full Content
Previous Lucas Lucco e Pabllo Vittar nos levam para seu “Paraíso”
Next Lista: 5 lançamentos indies pra jogar no Carnaval
Close

NEXT STORY

Close

Atypical: nova série da Netflix sobre autismo

28 de agosto de 2017
Close