Sabemos muito bem o quanto a adaptação de um livro para as telonas é uma tarefa nada fácil, pois quem leu o livro sempre sente falta de uma cena ou outra. Realmente é um desafio para qualquer diretor: “haja coragem!”. Mas e quando o filme consegue suprir as expectativas da maioria do público e se torna mais famoso que a obra literária? Bom, esse o caso de Me Chame Pelo Seu Nome, livro que ganhou adaptação para o cinema em 2017 e que estreará nessa quinta-feira (18) no Brasil (clique aqui e veja nossa crítica).

O longa baseado no livro de André Aciman conta a história de um amor de verão entre Elio, um menino estudante de 17 anos, e Oliver um estadunidense universitário de 24 que muda tudo com sua chegada para ajudar o pai de Elio em projetos acadêmicos. No meio de muita música clássica, livros, mergulhos e banho de sol, eles se entregam ao amor repentino – com muita sensibilidade, vencendo o terreno desconhecido que os separa.

me chame pelo seu nome

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Aviso: o texto abaixo contém SPOILER, tanto da versão literária como da versão cinematográfica. Para quem ainda não leu nem assistiu, evite seguir adiante.

Não é preciso ter lido o livro para você compreender a história no cinema, porém, vai por mim, faça isso querendo ou não. O livro te apresenta outra perspectiva que eu não consegui ver durante boa parte do filme, fazendo assim você ter dois resultados finais. Fui bastante surpreendido com mudanças que, se fossem adaptadas fielmente à obra original, teriam tirado o monotonia de certas cenas.

A começar pela falta da inconsistência de Elio. Timothée Chalamet, que dá vida ao garoto, faz um brilhante papel juntamente com Armie Hammer (Oliver) e é difícil não e apaixonar em um piscar de olhos pela química do casal. Por mais que essa inconsistência da personalidade de Elio tenha me deixado com raiva às vezes, senti falta disso no longa. Afinal essa indecisão estava presente em grande parte do livro, fazendo o mesmo pensar diversas vezes em não tentar nada com Oliver.

me chame pelo seu nome

O livro trás uma narrativa bagunçada em parágrafos grandes onde tudo acontece em apenas quatro capítulos, porém funciona e não cansa, fazendo essa aproximação entre o leitor e o Elio que conta para nós suas lembranças daquele verão. O longa flui bem melhor em seu começo no que no livro, onde os sentimentos e a indecisão de Elio começam a surgir.

O filme obviamente é uma versão editada do livro mas que cumpre seu papel maravilhosamente bem, mantendo a fidelidade visual e toda a atmosfera dos anos 80. Porém o livro trás mais sentimento, uma visão mais complexa e um final melhor desse amor.

Enquanto o filme acaba por um telefonema de Oliver meses depois para Elio anunciando seu casório com sua ex, o livro dá continuidade com Elio narrando como foi para ele esquecer Oliver e colocar seu amor por ele de canto. Porém quinze anos, depois eles se reencontram e como eu queria ver essa cena no filme, viu? Vemos ali um amor mútuo após longos anos guardados em uma gaveta que, mesmo com a vida seguindo em frente, ambos se lembram de exatamente tudo que aconteceu naquele verão de 1983.

Me chame pelo seu nome livro

 

 

 

 

 

 

Título: Me Chame Pelo Seu Nome

Autor: André Aciman

Editora Intríseca – ano 2018

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