Tove Lo Blue Lips
Tove dando uma boa “pegada” na capa de Blue Lips

Tove Lo me fascina. Não apenas em seu novo projeto Blue Lips. Ela entrou em minha vida de uma forma imprevisível. Quando a cantora sueca surgiu com seu single Habits, vi apenas mais uma mulher falando dos abusos de álcool e sua vida desregrada. Tove logo depois continuou uma trajetória batida no pop, inclusive lançando parceira com Nick Jonas. Minha visão menor na época me fez lhe dar as costas.

Vão achar loucura de minha parte, mas eu dei as costas inclusive a Lady Wood. Quando me permiti deixar o preconceito de lado me deparei com uma obra que me marcaria. Tove abraçou algo mais profundo em si. Mostrou um lado de sua vida que era sincera e triste, mesmo embalado com uma batida eletrônica. Cada música uma parte dela, e cada um completando a música seguinte. Seu projeto visual, foi apenas o cereja no topo de um obra cheia de pessoalidade. Fairy Dust, um curta-metragem, narrando cada faixa com um clipe menor, que juntando tudo virava um filme de drama.

Blue Lips é o segundo ato de Lady Wood. Uma continuação, em termos de musicalidade e letras. A evolução não está presente, mas isso era esperado. Tove deixou claro que tinha muito mais a falar. Sua língua suja, sua virtude distorcida, traumas que ela transformou em músicas, tudo isso continua e mais intenso. É como um filme que chega na cena em que tudo está em paz, mas na verdade o vilão está se levantando. Tove nos traz de volta a sua mente para mais uma rodada de dores e êxtases.

O clima que reina em Blue Lips é esperança. Tove conta o quanto está sempre dopada, tentando lidar com seu passado como em Shivering Gold e Don’t Ask, Don’t Tell. Mas ela tenta acertar na vida. Cycles relata como ela está presa num ciclo de confiar seu coração a alguém e depois se arrepender. Ela se sente estrangulado em Struggle, e desesperançosa em Bad Days. Tove interpreta nosso grande desejo de sermos amados, mas também as armadilhas que sempre caímos.

A musicalidade trouxe poucas mudanças. As faixas mais animadas são StrangerSheDontKnowButSheKnows e Romantics. Uma trilogia de ódio, sexo e sedução. Até a deliciosa Bitches, que apareceu no curta Fairy Dust, dá suas caras. E Disco Tits, primeiro single do álbum, da sua cara logo no início.

Conclusão

Blue Lips é um marco. Tove Lo marca aqui o fim do sofrimento. Ela quer terminar com isso, deixar para trás. Mesmo se drogando e pulando de colo em colo, a dor não sumirá assim. Ela tem esperança, mas sabe que tem muito o que aprender.

Como álbum o projeto peca um pouco. Traz poucas faixas que poderiam evoluir para singles. Mesmo sabendo que este também ganhará uma curta-metragem, encenando todas as músicas, não me animei tanto. Soltas, as músicas tem seu apelo. Em conjunto, elas soam como um ciclo que vai e volta no mesmo assunto.

É notavel que Tove é uma voz de liberdade. Ela não é sexy, porque isso vende. Ela se apropria do sexo para mostrar que ela manda em seu próprio corpo. Para mostrar que mulheres também tem prazer, orgasmos e desejos. E que isso não as diminui em nada.

Espero que Blue Lips seja uma cura para Tove. Uma porta para um evolução artística. Com certeza uma das cantoras que transforma dor em canção e tem muito ainda o que dividir conosco.

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