Liga da JustiçaAo longo de décadas, personagens de histórias em quadrinhos vem sendo levados para a tela do cinema. Desde a primeira e bem-sucedida adaptação com o Superman, em 1978, a DC Comics tem tornado os seus maiores heróis em ícones cinematográficos. Agora em 2017, após uma adaptação não tão popular do homem de aço e uma tentativa frustrada com Batman VS Superman, a Warner, juntamente com a DC Comics, trazem para a tela dos cinemas o maior supergrupo da história dos quadrinhos, A Liga da Justiça.

É fato que a desorganização foi uma pedra no sapato da produção. Desde o lançamento da trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, o tom do universo cinematográfico escolhido para as produções foi baseado no sucesso do diretor. Nolan abordou a persona do homem morcego a partir de uma ótica realista e obscura.

O Homem de Aço, apresentou Henry Calvin no papel de Superman. A sequência Batman vs Superman, introduziu Ben Affleck na pele do cavaleiro de Gotham, e Gal Gadot como a princesa das Amazonas. Ambos sofreram problemas muitas vezes associados a essa escolha de tom e ambientação. A partir de Mulher Maravilha, no entanto, a luz no fim do túnel apareceu. O carisma de Gadot, aliado a uma história otimista, que busca não só introduzir uma heroína que acredita na bondade dos homens, como também denunciar os horrores da guerra, estabeleceu o que seria também o ponto crucial para uma correção de percurso.

Genesis da Liga

Em Liga da Justiça nós somos apresentados a um Bruce Wayne diferente do que foi visto anteriormente.  O magnata, responsável por recrutar os maiores heróis da terra, aqui se apresenta de forma leve. Affleck deixa para trás uma construção quase amargurada de Batman, tornando o personagem mais empático para o público. Ainda, porém, que a abordagem seja diferente, há momentos onde a culpa vem à tona, mostrando outra faceta do homem morcego.

Também no elenco temos Jason Momoa, o Aquaman; Ezra Miller, como Flash; e Ray Fischer como Ciborgue. A construção dos heróis é diversificada, o Aquaman presente em Liga da Justiça é um lobo solitário. Sempre bebendo e se mostrando com alguém tentando encontrar o seu lugar; O senhor de Atlântida não exerce o seu reinado, renegando seu trono. Momoa se encaixa bem no papel e coloca toda a sua presença cênica, claramente um stand out. As cenas subaquáticas são belíssimas, e ainda que existam escolhas questionáveis, tudo é muito bem feito.

O Flash, aqui, se estabelece como o alivio cômico da película. Barry Allen é quem lança mão da maioria das piadas ao longo do filme. A construção de Miller beira o caricato, certas vezes abusando de uma linguagem corporal e expressões faciais excessivas. Há tantos maneirismos que até mesmo em uma pessoa mascarada fica nítido o excesso. Ainda que derrape nesses pontos, os efeitos e as cenas onde os poderes do herói entram em ação são ótimas.

O Ciborgue talvez seria o herói menos popular do grupo. Seu arco dramático é pouco explorado, a noção de quem nem sempre habilidade são dons, mas sim, uma maldição. O roteiro prefere explorar uma vertente mais neutra de Victor Stone. A caracterização e os efeitos em cima do corpo autômato da personagem são bem produzidos e Ray Fischer consegue se integrar a equipe de forma orgânica.

 

Liga da JustiçaDentre tantos homens, o grande destaque é sem dúvidas de uma mulher. Gal Gadot traz a imponência e a bondade da sua Mulher Maravilha. Roubando o show, a personagem lidera a equipe para a luta contra o Lobo da Estepe. E é com ele que o filme tem uma das suas grandes perdas. O vilão do filme tem uma representação cartunesca, parecendo um dos vilões semanais dos Power Rangers. Ganhando um take característico desses antagonistas, o personagem, interpretado por Ciarán Hinds, exclama de braços abertos num tom maquiavélico digno do próprio Dick Vigarista.

Outro ponto que subtrai na trama é o próprio roteiro. Seguindo a trilha oposta de Batman Vs Superman, Liga da Justiça se apresenta com uma história simples até demais. O filme se resume na busca do vilão pelas caixas maternas, que são artefatos feitos de puro poder. Cada uma das três caixas está sob a guarda de um povo: Atlântis, Amazonas, e o povo dos homens. Talvez devido a problemas contínuos de direção e coesão, bem como a perda de Zack Snyder devido a uma tragédia pessoal, o que resultou na adição de Joss Whedon e em refilmagens, o filme se mostra deveras simplista. O que não seria um defeito se não parecesse simples DEMAIS.

Além da simplicidade e talvez até mesmo pressa, o roteiro peca também na falta de urgência. Outra vez optando pela contramão dos seus antecessores. Em Homem de Aço, a luta entre Zodd e um Superman em construção causam uma devastação generalizada. Sob a ameaça do Lobo da Estepe, no entanto, o filme perde em urgência. Toda ação se desenrola de uma forma onde poucos civis sofrem perigo real, produzindo um terceiro ato sem consequências reais além da formação da própria equipe.

De forma geral, Liga da Justiça é um filme que entretém. Mesmo com defeitos, e qual filme não os tem? A aventura dos maiores heróis dos quadrinhos abre as portas para mais filmes, e também dá a chance de estabelecer um universo realmente coeso e equilibrado.

Liga da Justiça está em cartaz do todos os cinemas do país. Confiram!

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Existe uma cena pós créditos bem ao final que mostra vislumbre do futuro, fiquem atentos.
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