Em 2014 o mundo foi agraciado com o primeiro álbum de estúdio de Sam Smith, In the Lonely Hours. Foi um verdadeiro sucesso, com os singles Stay With Me e I’m Not the Only One se tornando hinos internacionais dos corações partidos. Não muito tempo depois, o artista declarou para o mundo que era homossexual e que as músicas de seu primeiro álbum foram inspiradas em um amor platônico por um outro homem.

Três anos se passaram e recebemos o segundo dico do cantor, The Thrill of It All. O novo projeto traz de volta a visão cética sobre o romantismo, mas com uma leve pitada de esperança. Agora assumidamente gay, The Thrill of It All traz letras mais sinceras sobre seus romances e dilemas, se pondo facilmente entre os melhores álbuns do ano.

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Sam Smith expande o que já vinha fazendo no disco anterior, com muitos paralelos e um tom bastante similar. As músicas voltam a explorar diversas formas de relacionamentos complicados, mas desta vez temos um que de otimismo em algumas faixas. Em “Say It First” e “Baby You Make Me” que vemos um romance menos cético, possivelmente atrelado a seu novo relacionamento com o ator Brandon Flynn. Ele chegou inclusive a dizer em uma entrevista para Ellen Degeneres: “[…] Agora eu estou cantando sobre um outro cara, e eu estou bastante feliz, então é meio estranho”.

Outro ponto alto do álbum vem da assumida sexualidade de Sam, que dá abertura para explorar conflitos tipicamente homossexuais. Em “HIM“, uma das melhores músicas, Sam expõe os conflitos e cobranças que jovens LGBTQ tem com religião. “Não tente me dizer que Deus não liga para a gente. É ele quem eu amo.” diz a música.

Já em “Pray“, Sam canta um desabafo sobre esses tempos sombrios de intolerância e conservadorismo que assolam não só os Estados Unidos, mas também o Brasil e todo o mundo. “Eu levanto a cabeça e o mundo está em chamas” declara em um verso. “Vamos falar sobre liberdade” convida em outro.

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Os paralelos a seu primeiro álbum ficam bastante explícitos em músicas como “Scars” e “Burning”. “Scars” conta uma história sobre família, como “I’m Not the Only One”, mas desta vez ao invés de falar por um personagem fictício, Sam canta sobre sua própria família. Já “Burning” se assimila bastante a “Lay Me Down” em sua sonoridade. Ambas as músicas começam com um trecho a capella e prosseguem com um leve piano.

Em termos de sonoridade, o álbum é bastante homogêneo e não muito diferente de In the Lonely Hour. As músicas trazem arranjos que abusam do piano, trazendo também cordas e apostando no coro gospel que deu tão certo no primeiro álbum. Em cada música, a harmonia entre os instrumentos transmite um sentimento sincero de melancolia e franqueza que marca seu trabalho. Neste álbum, Sam não inova em seus arranjos, mas sim no peso de suas músicas, com letras impactantes e que ressoam com facilidade em nosso ser.

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Concluindo

Com um total de 14 faixas muito bem escritas, não há nenhuma faixa que destoe em qualidade. Em geral, o álbum soa como uma evolução natural de seu trabalho. Ele entrega mais músicas melancólicas e explorando melhor a ampla gama de relacionamentos humanos. Em um cenário pop onde os artistas se reinventam tanto a ponto de perder completamente sua essência, é gratificante ver um artista que canta a sua realidade e se mantem verdadeiro a sua arte.

 

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