Entende-se o Ragnarok como o evento apocalíptico da mitologia nórdica. Marcado por um inverno incessante, o ragnarok se inicia a partir da libertação do lobo Fenrir e da serpente Jörmungandr, ambos filhos de Loki. Os deuses, liderados por Odin e Thor contra as criaturas e forças das trevas, liderados pelo deus da trapaça, iniciam uma guerra que resulta na morte de todas as coisas vivas, sendo toda a existência destruída por Surtur. Mais do que o fim absoluto, o ragnarok marca a origem de um novo ciclo, uma renovação. Após a morte dos deuses, dois humanos, sobrevivente, darão origem a nova vida na Terra.

Thor

Nesse contexto mitológico que se passa o novo filme de Thor.

Sob direção de Taika Waititi e roteiro de Eric Pearson, o filme trás a destruição de Asgard como tema. O filme começa respondendo de forma rápida a questão que ronda os filmes da casa das ideias atualmente: onde estão as joias do infinito. acorrentado no mundo em chamas de Surtur, Thor diz que rodou o universo e não achou nada sobre os artefatos e que sua viagem o levou a um caminho de destruição.

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Thor (Chris Hemsworth) aprisionado no reino de fogo. Imagem: Internet

Todo o dialogo entre o deus do trovão e o gigante de fogo mostra de cara o tom do filme. A comédia é o cerne da produção, não só por ser marca de Waititi, como também o ponto forte de Chris Hemsworth. Diferentemente dos outros dois filmes, onde a história tentava imprimir uma carga dramática pouco convincente, em ragnarok o humor e uma paleta de cores admirável sopra novos ares para Thor, tornando tudo muito mais interessante.

O filme trás no elenco participações estelares, desde o Stephen Stranger de Benedict Cumberbatch até o Grão Mestre de Jeff Goldblum. Cada personagem consegue ter o seu momento. É interessante perceber o crescimento do Dr Estranho em sua jornada como futuro mago supremo da Terra. Também temos a participação de Anthony Hopkins como Odin, o Deus supremo de asgard, em uma cena emocionante. Jeff Goldblum consegue com sua performance com Grão Mestre roubar a cena. O lider do planeta Sakaar é um ser excêntrico, cheio de maneirismos e trejeitos que torna difícil para o espectador não adorar a personagem.

Junto com Thor e Loki, também temos Hulk. Bruce Banner aparece para juntar forças com o filho de Odin para impedir a profecia do armaggedon nórdico. Aproveitando a presença do gigante esmeralda, o filme tenta se aprofundar nas questões que rondam o herói. Mesmo que pareça superficial, toda a complexidade de Banner tem chance de ser explorada em outros filmes da casa, criando um arco solido.

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Hulk (Mark Ruffalo) se torna gladiador na arena de Sakaar Imagem: Internet

A Valquíria de Tessa Thompson é a responsável pelo ponta pé na representatividade LGBT da marvel. Dito pela própria atriz, via Twitter, a personagem é bissexual. Além dessa representatividade é também interessante perceber a força da personagem feminina. Na mitologia nórdica, as valquírias são guerreiras que transportam as almas dos soldados mortos em batalha para o Valhalla. Em ragnarok, porem, as guerreiras de Odin tem um destino mais trágico.

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Valquíria (Tessa Thompson) é a primeira personagem LGBT do estúdio marvel. Imagem: Internet

A força feminina também está presenta na primeira vilã do universo cinematográfico da marvel. Hela, deusa da morte, é magistralmente interpretada por Cate Blanchett. No meio do humor que marca a produção, Hela se solidifica com uma ameaça mortal, na sentido mais literal possível. Rica em um senso de humor irônico, a antagonista assume um patamar valioso dentro da casa das ideias. Seria de fato um desperdício não reaproveitar de alguma forma a personagem.

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Hela (Cate Blanchett) é a vilã que a marvel precisa. Imagem: Internet

Entre mortos, feridos, e a destruição dos nove mundos, restou-se um filme cativante. A produção e direção do filme acertam a mão em vários pontos e fecham o ciclo de Thor com o melhor dos seus filmes solo. A grande questão que fica é que um filme precisa necessariamente de uma profundidade e obscuridade? A resposta é não. Thor: Ragnarok prova que o humor e a vontade de entreter pode extrair o melhor de um personagem.

Como já é de tradição, o filme possui duas cenas pós créditos. A primeira conduz o filme a Vingadores: Guerra Infinita. A segunda é uma divertida citação ao Grão Mestre.

 

 

 

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Já pode esquecer o Thanos e pedir reprise de Hela? Imagem: Internet

Thor: Ragnarok

Direção: Taika Waititi
Roteiro: Eric Pearson
Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Tessa Thompson, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo e Anthony Hopkins

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