Rainha é rainha, né mores? Numa época onde todos os jogos de ação eram protagonizados por homens musculosos, eis que surge Samus Aran: uma mulher capaz de chutar a bunda de qualquer marmanjo. Entra Metroid: um jogo de exploração que se tornou super popular quando a notícia que tinha uma mulher caçando alienígenas em um videogame se espalhou.

O jogo foi inovador em diversos âmbitos e deu origem a um próprio subgênero de jogos que tentaram emular a sensação de ser Samus Aran, enfrentando sozinha os obstáculos de um planeta hostil. Mais de 15 anos se passaram sem nenhum jogo 2D da franquia e o manto foi passado para as empresas indies. Com jogos como Hollow Knight e Guacamelee fazendo um sucesso estrondoso, metroidvanias voltaram a se tornar relevantes mesmo sem Samus. Porém nada temam, manas, pois a rainha voltou! Depois de dois jogos que dividiram opiniões, Metroid Samus Returns marca o retorna da franquia com um remake para fã nenhum botar defeito.

Como esperado de um remake, Metroid: Samus Returns reconta os eventos de Metroid II – Return of Samus com bastante fidelidade. Seguindo os eventos de Metroid, a Federação Galática conclui que os Metroids são muito perigosos para existir e decidem que Samus Aran deve aniquilar toda raça em seu planeta natal. A partir daí o jogador assume o controle da heroína que deve caçar e eliminar dezenas de Metroids, enquanto coleta os mais diversos itens no caminho que irão ajudá-la a completar sua missão. Simples e direto ao ponto, como jogos da franquia devem ser. Nada de distrações ou diálogos de qualidade duvidosa nesta aventura. Aqui temos apenas a Samus sozinha atirando em alienígenas num planeta hostil.

Do jogo original, Samus Returns recicla basicamente só os equipamentos e o esqueleto geral do mapa do jogo. Todo o resto foi repensado pela MercurySteam a tal ponto que fica até difícil de comparar o novo jogo com o material original. Por usar a mesma estrutura de Metroid II, Samus Returns acaba caindo nos mesmos problemas de game design. O jogo é separado em áreas que de tão isoladas acabam funcionando como fases. O jogador só pode avançar para a área seguinte caso derrote todos os Metroids da área atual. Se por um lado esta decisão torna o jogo mais acessível a novos fãs, controlando o ritmo da progressão e impedindo que alguém fique muito perdido, por outro pode desagradar fãs de longa data que não vão encontrar os designs mais orgânicos e intrínsecos de clássicos como Super Metroid (SNES).

Nada de progredir até encontrar e derrotar cada uma destas pestes

O combate foi drasticamente melhorado para se adequar aos padrões da indústria. Samus ainda derrota seus inimigos atirando lasers e mísseis, mas novas técnicas são introduzidas dando um ar de novidade a aventura. A principal dessas novas técnicas é o Melee Counter. Agora, com o timing adequado, Samus consegue contra-atacar quando atacada fisicamente. O Melee Counter muda completamente o modo de como pensamos o combate. Se antes o jogador contava apenas com seus reflexos e uma porrada de mísseis, analisar os padrões dos adversários e esperar uma brecha para contra-atacar adiciona ritmo e variedade ao jogo.

Um Melee Counter bem dado em um boss vai acionar uma curta cena onde a Samus mostra como ela é badass

Outro aspecto que foi completamente refeito para a nova aventura foi a trilha sonora. As músicas cheias de bipes super agudos do velho Game Boy dão lugar a uma música cheia de instrumentos que dá gosto de ouvir.  A mudança vai um pouco contra a trilha original que intencionalmente provocava desconforto, mas ainda assim funciona. A música tema da franquia agora é usada na tela de título. No resto do jogo ouvimos algumas músicas refeitas de Super Metroid em áreas bem específicas. Entretanto, na maior parte do tempo, sons ambientes serão tudo que você ouvirá. Funciona bem com a atmosfera do jogo, mas decepciona um pouco vindo de uma franquia com músicas memoráveis.

A direção de arte mantém a pegada fotorrealista que já é padrão da série. A MercurySteam faz um ótimo trabalho em adequar o estilo que a franquia trouxe com a série Prime e adaptar para as limitações do portátil da Nintendo. O resultado são gráficos bem polidos com cenários completamente reimaginados que usam do 3D estereoscópico do portátil somando bastante à atmosfera do jogo.

O ambiente trabalha o tempo todo em função da experiência e a cada canto explorado do planeta SR388, a sensação de isolamento e hostilidade é reforçada. Ruínas e outros elementos Chozo agora estão presente no cenário, em contraste aos blocos preto e branco genéricos do título original, de modo a contar mais sobre a mitologia da série sem a necessidade de palavras. O efeito 3D também funciona muito bem, dando uma profundidade que realça os detalhes do cenário de modo nada intrusivo.

Imagens 2D não fazem jus a beleza do cenário em 3D estereoscópico

De um modo geral, Metroid Samus Returns é um retorno merecido às raízes da franquia. O jogo faz uma bela homenagem a diversos títulos da série, principalmente Metroid II Return of Samus, mas isto não o impede de inovar quando é preciso. Do belíssimo estilo gráfico a reestruturação do combate, tudo funciona muito bem neste jogo que mais é inédito do que é remake. Prepare-se para se perder no maior mapa já feito para um Metroid 2D neste que é o melhor jogo da franquia em bastante tempo.

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