Beyoncé lançou um filme na Netflix, chamado Homecoming, falando sobre ser a primeira mulher negra headliner, ou seja, atração principal, do Festival Coachella, em 2018. Festival esse que tem como criador um empresário Pró-Trump e Anti-LGBT.

Pesquisar sobre feminismo hoje em dia é quase certo que o nome de Beyoncé vai estar envolvido. Desde que Flawless*** chegou a publico, que a cantora tem sido cada vez mais atrelada as causas feministas.

Porém a música não foi assim tão bem recebida. A canção conta com um discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. A critica martelou a cantora, e piorou um pouco mais depois que ela performou a música no palco do VMA de 2014 em frente a telão de led com a palavra “Feminist“, fazendo surgir ali o termo, que logo viralizou na internet, “militante de telão”.

E baseado nisso, essa lista vai mostrar 10 vezes que as músicas de Beyoncé teve discurso de emponderamento feminino, mas ninguém percebeu.

Para começar, lá no inicio da carreira da cantora, ainda no grupo Destiny’s Child: Bootylicious

A música basicamente fala “Eu não acho que você está pronto para isso. Porque meu corpo é gostoso demais para você, amor”, parece raso né? Mas vou explicar melhor, durante a performance da música no DVD I am… Yours, Beyoncé contou que na época tinha ganhado uns quilos a mais e a mídia estava comentando sobre seu corpo mais voluptuoso, e assim a música nasceu. Ela encerra sua fala dizendo “Não importa o que eles diziam sobre mim, eu me sentia gostosa. Você não acredita em mim? Então procure [bootylicious] em um dicionário”. Devido ao sucesso da música a palavra Bootylicious acabou indo parar no dicionário americano.

Survivor

Já ouviu falar sobre relacionamento abusivo? Pois é, Survivor nada mais é do que o relato de mulheres que sobreviveram (pegou o link aqui né?) a esses relacionamentos. A música fala sobre um certo ‘alguém’ que achava que ela só teria uma vida com ele, que ela seria uma ninguém sem ele por perto, mas é como diz o refrão “eu sou uma sobrevivente, eu não vou desistir, eu não vou parar, eu vou trabalhar mais duro“. E enquanto alguns boys saem por aí espalhando nudes da ex, a música a ainda completa “sabe, eu não vou te difamar na internet porque minha mãe me ensinou a ser melhor que isto“.

Independent Woman

Independent Woman é o tipo de música que nem tinha que ter uma explicação do ‘porquê?’, de ser um hino de emponderamento feminino. Mas já que tem que explicar para quem não está enxergando o letreiro escrito feminist… A música provavelmente estaria no iPod da Simone de Beauvoir, é trecho atrás de trecho, um melhor que e o outro, tipo: “banco a minha diversão, e eu pago minhas próprias contas. Sempre meio a meio em relacionamentos“. Ou melhor ainda “a casa onde eu moro, eu comprei, o carro que estou dirigindo, eu comprei, eu dependo de mim“.

Girls

Essa música e esse clipe é literalmente a receita para as migas seguirem. A música enaltece a amizade entre as mulheres. Provando que primeiro as migas, depois os boys. Além de tratar sobre relacionamento abusivo novamente, já que na música a Kelly canta “entendam que vocês não o conhecem, é que eu não posso largá-lo porque ele precisa de mim. Esse não é ele realmente, é o estresse do trabalho e eu não estou facilitando.” e aí chega aquele refrão mandando a real “Garota, você não tem que esconder, não fique envergonhada de dizer que ele te machuca. Eu sou sua amiga, você é minha amiga, nós somos amigas“.  Muito mais que amigas friends né?

Já em carreira solo Beyoncé jogou Me, Myself and I no nosso colo e mandou segurar

Vocês tem noção do que é essa música? Sabe aquele ditado “melhor sozinha que mal acompanhada”? É tradução dessa música. Beyoncé canta em um trecho “Eu, eu mesma e eu, foi tudo que eu tive no fim, foi tudo que eu encontrei e não é preciso chorar, eu fiz um voto que agora serei minha melhor amiga“. Sabe como isso se chama? Autoafirmação! Quando você achar que de alguma forma está se doando demais a alguém que não está nem aí para ti lembre-se Me, Myself and I

Irreplaceable

Beyoncé canta “parado no jardim, me dizendo como eu sou uma boba, falando que eu nunca vou achar um homem como você”. Até parece né? Ela trata logo de ser bem direta que é para não ficar duvidas “eu posso ter outro como você para amanhã, então você nem por um segundo pense que você é insubstituível“. Mas é como aquele ditado né, “se Beyoncé diz ‘a esquerda, a esquerda’, não vai ser eu que vou ser de direita”.

If I Were A Boy

If I Were A Boy é o escrachar do machismo. É prova de que homem recebe mais vantagens e respeito socialmente. Um trecho da música diz “se eu fosse um garoto, mesmo que só por um dia, eu levantaria da cama de manhã e vestiria o que eu quisesse, e iria beber cerveja com os caras, e paqueraria garotas, sairia com quem eu quisesse e eu nunca teria que ser encarada por isso, porque eles ficariam do meu lado“. O clipe da música é praticamente uma aula ilustrada de patriarquismo. Inclusive eu já usei esse vídeo para ensinar um conhecido que dizia que machismo não existe.

Run the World (Girls)

Run the World (Girls) é a pergunta que já vem com a resposta explicita. Querer desmerecer o poder das mulheres? Não aqui meu anjo! Beyoncé canta como a mulher é forte e batalhadora, para conquistar tudo o que tem, além de dar uma baita dica as garotas: estudem. “Essa vai para todas as mulheres que estão conseguindo, alcançando seus objetivos. Para todos os homens, que respeitam o que eu faço, por favor, aceite meu brilho” em outro trecho, a cantora ainda lembra algo muito importante, a jornada dupla que as mulheres costumam viver “[…] somos espertas o bastante para ganhar milhões, forte o suficiente para lidar com as crianças e depois voltar aos negócios”. 

Grown Woman

Muitos podem até não ter dado muita atenção a Grown Woman, mas basta ser um pouco mais atento a letra e identificar o cotexto que tcharamEu me lembro de ser jovem e corajosa, eu sabia do que precisava, eu passava todas as minhas noites e dias sonhando acordada, olhe pra mim eu sou grande agora”. Ainda não entendeu? “sou uma mulher adulta posso fazer o que eu quiser (o que eu quiser)“.

Formation

E aí meninas, vamos entrar em formação? Formation conseguiu ir mais longe do que só o emponderamento feminino, mas também ao emponderamento negro, feminismo negro, violência policial, e nossa, poderia ir destrinchando aqui vários fatores só fazendo uma analise de discurso tanto da música quanto do clipe. “Eu gosto da minha pequena herdeira com cabelo de bebê e afros, eu gosto do meu nariz negro com narinas Jackson Five“.

E não para por aí não viu, Beyoncé esteve o tempo todo cantando músicas com cunho de empoderamento feminino, tem Bills, Bills, Bills, Ring OffBest Thing I Never HadRing The Alarm entre tantas outras.

A cantora foi muito criticada por estar supostamente se apropriando de movimentos sociais para fazer sucesso, que somente por conta do assunto estar em voga, que ela começou a cantar sobre. Porém a problemática com Beyoncé foi se assumir feminista, pois como foi mostrado, ela já cantava músicas com essa temática há bastante tempo, mas só agora se deram conta que ela é mulher e negra.

Vale sim a critica, de forma alguma deve se aliena-se e aceitar todo e qualquer discurso, porém também é preciso se atentar em não falar algo que esteve aí o tempo todo posto, além de que interpretação é fundamental, não é um telão escrito “feminist” que faz alguém feminista. Porém comprovado que não foi um telão que fez a vez aqui.

Parabéns Beyoncé

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