Aconteceu nesse ultimo domingo (27) a edição de 2017 do VMA MTV. O que era para ser uma noite de premiação, performances e lançamento, acabou se tornando um palco de um espetáculo grotesco.

Taylor Swift lançou o clipe de Look What You Made Me durante a premiação, e se a letra da música já não negava do que se trataria, o vídeo só reforçou.

As referências vão desde a empresas de streaming até ao seu famigerado squad. Obviamente que nem Taylor e nem ninguém da sua equipe confirmou qualquer coisa relacionada ao clipe, mas não é necessário, só é preciso juntar as cenas do clipe+letra+cenas da vida real=várias citações.

O quão saudável é essa linha que a cantora quer seguir, não só a ela, mas aos seus fãs, é que ninguém sabe. Essa sede de vingança no dia-a-dia, já não é bom para ninguém, imagine agora isso propagado com uma artista de grande visibilidade, com suporte da grande mídia e das redes sociais.

Convenhamos que o próprio nome da música (olha o que você me fez fazer) já é um indicativo de que algo está muito errado com essa ideia que ela tem de mundo. Há alguns anos um artigo do site Buzzfeed mostrava como a cantora construiu toda sua imagem.

Mais tarde Fifth Harmony começava sua apresentação, um medley de Angel + Down. Teria sido uma grande apresentação, se não fosse pelo inicio de gosto, no minimo, questionável. Cinco mulheres no palco, e antes mesmo de começar a cantarem, uma delas e arremessada para fora do palco.

Ninguém esperava por algo assim, e inicialmente até parecia uma participação especial. Não precisou de legenda para que soubéssemos que a garota jogada para fora do palco representava Camila Cabello. Sinceramente, é o tipo de atitude que não condiz com as atitudes que o grupo teve em diversos momentos, que se mostraram bastante maduras em responderem perguntas sobre a saída da ex-amiga (?) do grupo.

O que me incomoda é que numa noite em que temos performances de Alessia Cara cantando Scars To Your Beautiful que celebra o corpo como ela é. Depois Alessia performou novamente acompanhando de Khalid na música 1-800-273-8255, de prevenção ao suicídio. A própria premiação tem uma categoria para músicas que tem uma mensagem contra o sistema. P!nk que fez um discurso lindo sobre amor próprio. Além de ter ali no palco a mãe de Heather Heyer, ativista morta atropelada em manifestação contra supremacistas brancos nos EUA, tenha acontecidos momentos como esses de Taylor Swift e Fifth Harmony.

E não dá para responsabilizar somente as artista, mas uma premiação que é preparada durante meses de antecedência, não ter ninguém para dizer um “ei, isso não ta fazendo muito sentido”. Nem a organização, nem empresário, ninguém? Então é porque foi feito de proposito mesmo. É venda, não é mesmo? Mas quanto vale a vingança?

Temos dois casos de artistas que são muito talentosos, pois ninguém pode negar que Taylor é uma grande cantora, compositora e uma mulher com números incríveis na industria musical, tal como Fifth Harmony. Ambas tem uma grande legião de fãs, e aí que mora a maior problemática. Esses fãs estão comprando uma briga, que sejamos bem honestos, além de ser imatura, não diz respeito a eles, que viram e mexe estão envolvidos em confusões, sendo machistas, LGBTQfóbicos, sexistas, racistas, atacando outros grupos de fãs e artistas. Indiretamente esse grupos de fãs são respaldados pelos próprios artistas com tais atitudes.

Acho que já está na hora dos fãs começarem a serem mais críticos com seus ídolos, primeiro por que isso faz com que o artista receba um retorno honesto para melhorar não só seus produtos, mas também o seu pessoal. Segundo por que isso faz com que os grupos de fãs deixem de serem alienados. É bom também pontuar, que a critica não faz com que você fã seja menos leal ao seu ídolo.

Outra coisa que é muito importante ser colocado aqui, que está sendo usado como justificativa para ambos os casos. Você atacar alguém, só porque esse alguém te atacou primeiro, te faz tão errado quanto. É o mesmo que você praticar bullying com alguém que fez bullying com você, te torna tão malvado quanto. Aqui em casa minha mãe costuma dizer “quando um não quer, dois não brigam”. Você tem o poder de decidir se vai levar com isso adiante, e embora Taylor goste de se manter sempre silenciosa, “não fazer parte dessa narrativa”, quando você também está narrando, fica um pouco complicado.

Se a ideia é criar uma carreira toda baseada em chumbo trocado, tudo bem, Taylor Swift está no caminho certo há anos, e Fifth Harmony está começando a trilhar o caminho. Agora se a vontade é crescer, sem colocar mulheres uma contra a outra, alavancando suas carreiras de forma madura, então está é hora de parar com essas rixinhas de turminha de ensino médio.

Esse ódio gratuito, em performances e músicas só passam uma ideia, a que a vingança vale a pena. Se estamos aplaudindo esse tipo de ideia, então chegou a hora de começarmos a rever nossos conceitos.

Show Full Content
Previous Atypical: nova série da Netflix sobre autismo
Next Game of Thrones: roteiro conveniente, personagens incoerentes e finais previsíveis
Close

NEXT STORY

Close

Tempestade Iminente — trazemos as novidades do próximo evento de Overwatch

16 de abril de 2019
Close